Poetas de Vidro por Alberto Gattoni

Publicado: 28 de setembro de 2010 em Poetas de Vidro, Textos
Tags:

 

[de poetas e casas (ou) de vidros e barros]

das narinas dessa usina,

que resfolega,

fumaçadas coloridas de poemas

são lançadas,

moto contínuo,

sobre o mundo.

 

do fundo fervente do cadinho

brota, ascende e escorrega,

rubra cascata em torvelinho

de palavras, sons e rimas

e, em borbotões de estrofes,

longo caudal de obras-primas.

 

em torno de cristalino tubo de ensaio,

de esguias cânulas, e transparentes,

de volutas de cianóticas brumas,

e vermelhas,

poetas criam sonhos ardentes,

idéias parelhas, mar de plumas.

 

de translúcida e esférica retorta,

uma primeira gota aporta

e outras, e tantas, que porejam,

exaustas, em desalinho:

do grande funil de vidro, então,

escorrem versos, e gotejam.

 

da alquimia fugaz dos universos

transparece, no frasco dos poetas,

a essência vítrea dos sonetos,

os poemas em luz e vidro submersos,

e as silhuetas claras, frágeis e seletas,

dos criadores de magias e amuletos.

 

derretida a sílica, e moldada

para conter o poema/alvenaria,

faz-se mister pisar argilas,

moldar tijolos e ergue-los,

um a um, torres e filas,

sólidos guardiões da poesia.

 

essa casa, ocre barreira envidraçada

– casulo de tão tênue conteúdo –

e o luzir do vidro a faiscar no barro,

trazem alguma dúvida, contudo:

se são de vidro os poemas nesse jarro,

e se são de barro os poetas nesse vidro.

 [Poema de Alberto Gattoni – 11/09/10 por ocasião da intervenção cênica Poetas de Vidro no Centro Cultural Casa de Barro]

Pigmentação

Publicado: 24 de setembro de 2010 em Fotos, Poetas de Vidro

[Translado para o campo da morte]

[Vamos acertar os ponteiros]

[Fotos de Danilo Marian Pericoli]

[Terra batida]

[promessa]

[Acollhida]

[Satisfação do verso]

[Verso irresoluto]

[Segunda-feira]

[O menino que ainda sonha dentro de mim]

[Relâmpago da criação]

[Sem acréscimos]

[Jirau]

[Os sonhos são de vento]

[Moinhos]

[Mil novecentos e sessenta e oito]

 [As fotos são de Danilo Marian Pericoli]

Primeiro dia – 4 de setembro

Publicado: 24 de setembro de 2010 em Fotos, Poetas de Vidro

[A primeira apresentação da Intervenção Cênica Poetas de Vidro aconteceu no dia 4 de setembro no Centro Cultural Casa de Barro].

[As fotos são de Danilo Marian Pericoli].

Estreia Poetas de Vidro

Publicado: 7 de setembro de 2010 em Poetas de Vidro, Textos

[por Alex Dias]

Celebrou-se sábado passado, dia 4 de setembro, um marco importante para artistas, poetas e para a comunidade do bairro Aclimação: a junção de um anseio artístico-poético com o trabalho social que teve como palco um espaço criado para a propagação da cultura – O Centro Cultural Casa de Barro.

Localizada na Rua Antonio Tavares no 152, a Casa de Barro é a sede de uma associação formada em 2009 por amigos e familiares de diversas áreas, com o interesse comum em ampliar o acesso à cultura. Raphael Galvano, que coordena a sede, acolheu o projeto de Rudinei Borges auxiliado por Marcus G. Rosa, – ambos poetas e alunos da SP Escola de Teatro e mestrandos respectivamente na USP e UNESP– em processo de formação embrionária do que tornar-se-ia a 127 Fundos Cia. de Teatro.

Desde junho delineou-se uma rotina de ensaios, oficinas e audição para a montagem de Poetas de vidro, uma intervenção cênica composta por monólogos costurados a partir da obra de cinco poetas do bairro Ipiranga e região. Os poetas Rudinei Borges, Welton de Souza, Edner Morelli, Norival Leme e Ricardo Albuquerque deram voz e palavras aos corpos e vozes dos atores Francesca Cricelli, Dias Filho, Fábio Gonzáles, Rosana Keully e Bruna Lima. Um caleidoscópio poético de memórias alicerça a intervenção cênica que permanecerá em cartaz durante todo o mês de setembro aos sábados na Casa de Barro – dias 11 e 25 às 19h00 – e no SESC IPIRANGA dia 18, às 18h00, em ocasião da comemoração do aniversário do bairro. A apresentação no SESC será seguida de um bate-papo com os poetas

A intervenção Poetas de Vidro é um percurso cênico e poético de uma hora, nesta trajetória o público acompanha em cada cômodo da Casa uma história, uma constelação de memórias, mais do que monólogos os atores apresentam solilóquios – um tipo de monologo interior, recurso amplamente utilizado por personagens marcantes da memória literária e dramatúrgica ocidental como Hamlet de Shakespeare e Molly Bloom de James Joyce – verbalizando histórias distintas e esparsas que se constituem – ora harmonicamente ora ruidosamente – sob o mesmo céu da poesia

A estética das cenas pretende dialogar com as inspirações aportadas pela peça A classe morta de Tadeuz Kantor, pelos filmes Terra em transe de Glauber Rocha e Terra estrangeira de Walter Salles e Daniela Thomas mantendo, porém, como fio condutor das cenas a força da palavra poética, jogando luz sobre o fato de que a poesia é uma experiência nova a cada vez, assim como observado por Jorge Luis Borges em Esse Ofício do Verso (Companhia das Letras, 2000).

[Texto publicado em http://www.osnauticos.blogspot.com]

[Vidro mestre]

Publicado: 7 de setembro de 2010 em Fotos, Poetas de Vidro

[Foto de Danilo Pericoli]

[Fim]

[Meio]

[Pedaço]

 

[Espaço]

[Fagulhas]

[Silêncio]

[Relampeio]

[Medida]

[Desamparo]

[Estilhaço]

 

[Lacuna]

[Desterro]

[Biblioteca]

 

[Tijolo]

 

[Colheita]